Odontologia Digital: Uma Panaceia Sem Dono!

Na odontologia assim como em todas as áreas do conhecimento humano, a tecnologia é uma ferramenta cada vez mais presente no dia-a-dia das profissões. Essa presença se dá, seja pelo dinamismo exigido pelo mercado atual no que se refere a velocidade de compartilhamento de dados, como pela necessidade do trabalho em equipe, uma vez que os profissionais vão se especializando em áreas cada fez mais restritas do conhecimento.

A tecnologia também amplifica a capacidade humana de perceber e assim POTENCIALIZA o diagnóstico da problemática dos pacientes em todas as áreas biológicas. Temos que ficar atentos, pois a tecnologia NÃO RESOLVE o problema da falta de preparo e conhecimento necessários por todos os profissionais para execução e domínio dos procedimentos, seja para levar o paciente a cura ou à solução de seus problemas.

Sabendo que nenhum sistema é autônomo e completo suficiente para resolver sozinho a cadeia produtiva da odontologia digital, é que todas as empresas e profissionais do ramo vem se intitulando verdadeiros embaixadores e donos da solução para todos os males da odontologia. Poucos, mas poucos mesmo, são os profissionais conscientes que investem tempo para HONESTAMENE clarearem este novo cenário ao público em geral mostrando as realidades, as limitações e criando modelos com custo-benefício realista para o clinico. Ao invés disso vemos cada um tentando “vender o seu peixe”, vendendo ilusões que em sua maioria nem se quer existem verdadeiramente e AINDA MAIS GRAVE, criando material de marketing mais preocupado com a venda, do que com a sustentabilidade financeira do cliente após a aquisição da tecnologia.

A criação de uma FALSA NECESSIDADE  escondida por trás de ideia que: quem não tem cad/cam ou “moldagem digital” está ficando para trás. Isto parece ser a fórmula mágica para criar uma demanda de mercado imediata que nem se quer se faz necessária atualmente, uma vez que OS PROBLEMAS CONTINUAM SENDO RESOLVIDOS SEM ESSAS TECNOLOGIAS muito bem e obrigado. É claro que várias são as realidades dos consultórios e clínicas ao redor desse País imenso. 4 são as realidades possíveis das instituições que adquiriram esses sistemas:

1 – Clinicas já com alta demanda para esse tipo de trabalho que podem bancar pela tecnologia, reajustando seu balanço financeiro a esta nova realidade

2 – Formadores de opinião que têm seus custos reduzidos mas devem gerar conteúdo e precisam vender esse sonho

3 – Consultórios menores que desenharam seus negócios para esse mercado, logo estruturaram seu marketing e custo para essa realidade

4 – O Resto dos 95% dos dentistas restante que OU estão arrependidos das decisões que tomaram por adquirirem o sistema e viraram refém da história OU ainda não adquiriram qualquer sistema e estão se sentindo frustrados e na periferia da odontologia.

Se cabe aqui uma análise dos fatos, grandes nomes da Odontologia pelo alto nível de conhecimento e domínio técnico e com uma lucidez financeira incomum ainda não adquiriram nenhum sistema e nem por isso não deixam de se beneficiar com a tecnologia, sendo usuários e mandando seus trabalhos para os grandes centros que já fizeram a curva de aprendizado dessas novas ferramentas de trabalho.

Fica agora aqui a grande expectativa para que aja a mesma mudança de paradigma que ocorreu na revolução industrial, quando a tecnologia da linha de montagem foi empregada para baratear o custo do produto,  para dar acesso a um número cada vez maior de pessoas, e não o que, o modelo de Odontologia Digital implementado no Brasil está fazendo, elitizando e se tornando inacessível.

Levantando essa bandeira é que a Odontologia 3.0 vem gerar um novo “momentum” para a Odontologia nessa era digital, transformando frustração em material de trabalho e educação para orientar esta e as próximas gerações a se posicionarem nesse novo cenário.

Dr Guilherme Cabral
Colunista do Clube do Dentista