Uso de Implantes e distração osteogênica como alternativa ao enxerto ósseo

O implante osseointegrável oferece a possibilidade de reabilitação protética do sistema estomatognático, permitindo o restabelecimento de função, estética e fonética adequadas, além de devolver ao paciente sua autoestima.

Quando se pensa na reabilitação bucal com implantes, um aspecto marcante que não poderá ser esquecido pelo profissional é que a sua posição é imutável, pois, depois de realizado o implante, muitas vezes, pode se impossibilitar o tratamento reabilitador. A distração osteogênica é uma forma de engenharia de tecidos in vivo na qual a separação gradual de margens ósseas, cirurgicamente seccionadas, resulta na geração de novo osso.

A regeneração tecidual produzida pela distração osteogênica foi largamente utilizada na Ortopedia para regenerar ossos longos após o encurtamento de um membro inferior por trauma, osteomielite ou outra condição. Um limitado sucesso era encontrado na formação de novo tecido ósseo e, em especial, na união dos fragmentos ósseos distraídos. Isso acarretava alta incidência de complicações e, como consequência, a maioria dos ortopedistas focava sua atenção no encurtamento dos membros de dimensões normais ou no uso de próteses externas para compensar as diferenças de comprimento dos membros.

A ideia do alongamento dos ossos do corpo humano iniciou-se em 1905 por Codvilla, com propósitos ortopédicos. Outros autores seguiram essa técnica, mas somente mais tarde, na década de 1940, um ortopedista russo, chamado Ilizarov, promoveu um estudo sistemático, com base biológica e confiabilidade clínica, promovendo alongamento ósseo por distração osteogênica, obtendo resultados consistentes. Esses trabalhos permitiram que grande variedade de aplicações fossem desenvolvidas para a área dentefacial, variando de avanços da face média ao movimento dentário.

Atualmente, o procedimento tem sido utilizado no tratamento de reabsorção vertical de arcos edêntulos, para permitir a instalação de implantes osseointegráveis, com resultados previsíveis. Desta forma, o aprimoramento das técnicas de distração óssea, desenvolvido e aqui demonstrado, tem possibilitado corrigir a posição de implantes que dificultavam e/ou impediam a resolução protética. Para tal, foi desenvolvido um dispositivo protético para distração do bloco ósseo portador do implante. Segundo autores, a distração osteogênica é apontada, atualmente, como a única estratégia capaz de corrigir defeitos de ossos e de partes moles simultaneamente, conferindo-lhes as dimensões e propriedades biomecânicas preexistentes.

 

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Dr. Túlio Valcanaia
Cirurgião – Dentista Mestre e Doutor em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial