O surgimento da saúde dental móvel (Mhealth)

O surgimento da saúde dental móvel (Mhealth)

Price Waterhouse Coopers (PWC) é uma das maiores pesquisadoras e fornecedoras mundiais de soluções em assessoria empresarial. A sua especialidade é aplicar seu conhecimento e experiência de mercado para desenvolver soluções de negócio para seus clientes.

Um dos vários setores que a PWC atua é o de saúde. Na busca por antecipar e se adaptar as novas tendências a empresa tem um departamento especializado em pesquisa e inovação na área de saúde, cuja atribuição principal é compreender as tendências para o futuro do fornecimento de serviços de saúde.

Em uma série de entrevistas divulgadas em 2012 os líderes deste departamento apresentam o que consideravam na época ser o futuro do fornecimento de serviços de saúde mundial. Nelas eles apresentam um conceito que chamam de Mobile Health (MHealth) ou saúde móvel, em tradução livre.

MHealth é a habilidade de conectar pacientes com os provedores de serviços de saúde (no nosso caso, os dentistas) de forma que eles estejam virtualmente juntos em qualquer momento que houver necessidade.  
Interessante mas, isso quer dizer que eu como dentista passarei a receber mensagens e ligações dos meus pacientes a qualquer hora do dia ou da noite? NÃO.

Fique comigo que nos próximos parágrafos eu explico como estes pesquisadores sugerem usar a tecnologia disponível hoje para aproximar você do seu paciente sem perder finais de semana ou noites de sono.

Sabemos que não são todos os pacientes que possuem o hábito de seguir as recomendações básicas de saúde bucal e é exatamente ai que a tecnologia inserida em dispositivos móveis (celulares, iPads, etc.), no formato de aplicativos, pode aproximar você do seu paciente.

Estes aplicativos de celular conduzirão o paciente de forma amigável, no formato de um jogo por exemplo, a mudar seu comportamento na direção de adotar hábitos regulares de prevenção de riscos ao seu próprio sorriso.

Interessante não é? Mas vem mais uma vez a pergunta, como fazer isso?

A PWC aponta 6 princípios básicos que possibilitam a adoção da MHealth, são eles:

  1.        Integração;
  2.        Interoperabilidade;
  3.        Socialização;
  4.        Inteligência;
  5.        Resultados; e
  6.        Engajamento.

Dentre os 6 ela destaca que o fundamental é a  inteligência.

O papel da inteligência neste cenário é na criação de agentes de software com inteligência artificial, que ofereçam ao paciente informações suficientes para que ele seja capaz de realizar um exame de câncer de boca, por exemplo, com mínima orientação do dentista.

Esses aplicativos inteligentes são capazes de tirar dúvidas simples, onde o paciente solicita orientações e as recebe do aplicativo em nome do seu dentista. Isso leva muito mais segurança para o paciente que não precisa ficar perdido em informações genéricas que encontra no google.

A grande vantagem para o dentista é que isto significa que os pacientes que vão ao seu consultório já estarão pré-educados sobre o possível risco ao seu sorriso e, como consequência, serão também mais amistosos a execução de tratamentos que trazem maior valor agregado para o dentista.

Outra grande vantagem da adoção deste tipo de plataforma de serviços integrados ao aplicativo de celular é de você estar sempre presente na vida do seu paciente. Imagine ter a possibilidade de enviar avisos automáticos e personalizados (pois serão baseados no histórico dele) a cada 6 meses, que lembram o paciente de fazer algum autoexame ou de marcar sua consulta de acompanhamento. Ou ainda, ser o herói em algum tipo de jogo que ensina indiretamente o paciente a valorizar o seu sorriso.

As possibilidades de uso são enormes. Pode-se também criar novas formas de realizar e apresentar exames, que hoje são incompressíveis ao paciente, de forma simples e de fácil compreensão.

Você se coloca para o paciente na posição de um especialista atualizado sobre as novidades do mercado. Como bônus você ainda passa a imagem de que ele é extremamente importante para você. Estas plataformas colocam o paciente como o centro de todo o processo e muda a forma como o paciente decide pelo tipo de tratamento, pois vai fazê-las baseado nas informações que você deu para ele via aplicativo.

Como já aconteceu com várias outras indústrias, a tecnologia vem para revolucionar a área da saúde. 
Por exemplo, hoje a grande maioria das pessoas entre 20 e 40 anos não consegue imaginar consumir música em outro formato que não o digital, disponível em seus celulares a qualquer momento, através de aplicativos como o Spotify.

Segundo as previsões da PWC, nos próximos 2 anos, os profissionais que não estiverem preparados para oferecer serviços de saúde nestes moldes passarão a perder mercado, pois os pacientes passarão a exigir este tipo de atendimento.

 

Foto do Dr Patrick Palhano

Patrick Palhano

Atua como clínico há 13 anos, com experiência no serviço público, mas principalmente na clínica privada em atividades de implante, cirurgia oral menor e enxertos ósseos. Também desempenha atividades de docência a mais de 9 anos na pós graduação inclusive com participação no desenvolvimento de técnicas rápidas de enxerto ósseo, recebendo prêmios no Brasil e proferindo palestras na Europa sobre o tema. Além de participar de pesquisas clínicas inovadoras desde os tempos da graduação, é um apaixonado por tecnologia, e desde 2013 desenvolve e trabalha com inovação em tecnologia para odontologia, tendo como parceiros o Centro de Tecnologia e Inovação do SENAI,  Fundações de Pesquisa e Inovação e Institutos de Pós-graduação, tendo desenvolvido mais de 3 aplicativos, 2 sistemas embarcados, 1 Market Place, 1 game, 2 produtos digitais, dentre outros projetos que inclusive já foram premiados pela Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista e Mestre em Implantodontia,e também Especialista em Odontologia do Trabalho, o viés tecnológico foi aflorado após o MBA em Gestão Empresarial que cursou na Fundação Getúlio Vargas.